quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Que venham as lendas!



Amigos, me perdoem pela falta de atualização, mas prioridades têm me tomado muito tempo durante as últimas semanas. Espero daqui a uns dias (ou semanas) normalizar a situação.


Dou uma passada por aqui por um motivo especial. Saiu hoje a notícia que deve ter deixado a galera que lê o blog (e que tem um Play 3 ou Xbox 360) bem animada: o novo NBA 2K12 dará prosseguimento à viagem pelo tempo iniciado no jogo passado, que trazia Michael Jordan na capa e 10 partidas clássicas da carreira do jogador para jogarmos, com direito às equipes completas, seja dos Bulls (incluindo reservas) ou dos respectivos adversários (apenas os titulares, defeito que esperamos ver corrigido nesta versão). A 2K Sports anunciou que o novo jogo virá com uma modalidade chamada NBA Greatest, que trará 15 (!) lendas da história da liga, cada uma com uma respectiva partida a ser jogada. Já foram anunciados Michael Jordan, Larry Bird, Magic Johnson (os três serão as opções de capa, lindas por sinal), Kareem Abdul-Jabbar e Julius Erving.

Restam ainda 10. Estou ansioso por saber quais os escolhidos pela galera da 2K Sports e já adianto os que eu gostaria que fossem selecionados, junto com as respectivas partidas:


Michael Jordan: Chicago Bulls X Phoenix Suns – Jogo 4, Finais de 1993

Não acho que eles repetiriam alguma partida do 2K11, portanto fico com a única final não retratada no game anterior. Escolhi o jogo 4 pois Jordan fez nada mais nada menos que 55 pontos e colocou os Bulls à frente no placar por 3 a 1. O time do Phoenix também será muito legal de enfrentar (e jogar) com nomes como Charles Barkley, Dan Majerle, Kevin Johnson, Tom Chambers, Danny Ainge e Cedric Ceballos.







Larry Bird: Boston Celtics X Los Angeles Lakers – Jogo 5, Finais de 1984

Escolha difícil aqui. Temos ao menos 4 momentos competindo entre si:

- O fantástico duelo entre Bird e Dominique Wilkins em um jogo 7 de playoffs em 1988, quando os craques assumiram a responsa no último quarto e jogaram praticamente sozinhos. Bird acertou 9 em 10 e fez 20, enquanto Nique marcou 15 e terminou o jogo com 47, mas não evitou a derrota.

- Jogo 6 da finalíssima contra o Houston Rockets em 1986. Bird anotou 29 pontos, 11 rebotes e 12 assistências, para garantir o terceiro título de sua carreira.

- Em pleno jogo 7 contra o New York Knicks de Bernard King, Larry cravou 43 pontos, 12 rebotes e 10 assistências, classificando os Celtics.

- Porém meu escolhido é o jogo 5 das Finais de 1984. Não que tenha sido necessariamente o melhor jogo da carreira de Bird, mas a rivalidade com Magic e os Lakers justifica minha escolha. A maior rivalidade dos anos 80 tem que ser retratada ao menos uma vez pelo jogo (não duvido que seja duas, no entanto, com Johnson também). Larry anotou 34 pontos (15-20) e coletou 17 rebotes em um Boston Garden pelando (37°C) e sem ar-condicionado. Máscaras de oxigênio foram usadas pelos jogadores nos intervalos para recuperar o fôlego. Com a vitória, Bird e os Celtics abriram 3 a 2 na série que futuramente viriam a ganhar, derrotando seus maiores rivais.






Magic Johnson: Los Angeles Lakers X Philadelphia 76ers – Jogo 6, Finais de 1980.

Duvido muito que este não seja o embate escolhido.
Ingredientes:

- Magic Johnson novato.

- Sixers com um timaço que incluía Julius Erving, Mo Cheeks, Darryl Dawkins e Bobby Jones.

- Kareem Abdul-Jabbar, craque do time, machucou-se no jogo 5 e estaria fora da próxima partida (e talvez de um eventual jogo 7).

- Johnson é então escalado para substituir o pivô, apesar de ser armador, surpreendendo o mundo inteiro.

- Magic nos brinda com uma das atuações mais estupendas da história com 42 pontos, 15 rebotes e 7 assistências, conquistando seu primeiro título e levando o MVP das Finais. Not bad.

Se essa não for a partida escolhida, ficarei muito surpreso. A baixa aqui é não jogar com Kareem. Porém, como todas as equipes estariam no jogo para jogar amistosos e afins, o Lakers de 1984 poderia ser escolhido pelo jogo de Larry Bird, matando dois coelhos em uma cajadada só (sempre quis escrever isso).

Na minha opinião, a única outra partida que pode ameaçar é o confronto contra os Celtics em 1987, no jogo 4 das Finais. Nesse embate, Magic deu seu arremesso mais famoso, um gancho à la Kareem, colocando os Lakers na frente no finzinho da partida. Com isso, o Los Angeles abriu 3 a 1 e ficou perto do título, que viria em breve.






Julius Erving: Slam Dunk Contest

Honestamente, não consigo achar uma partida que possa ser definido como o grande jogo da carreira de Dr.J. Erving passou boa parte (e provavelmente seu auge) da carreira na ABA. Quando veio para a NBA continuou um jogador fantástico, sendo o MVP de 1981. Em seu único título, porém, Julius foi coadjuvante de Moses Malone e não tem uma partida que justifique sua inclusão no jogo. Só consigo pensar no confronto contra os Lakers em 1980, quando no jogo 4 das Finais, Dr J protagonizou o segundo lance mais famoso de sua carreira, com essa cesta maravilhosa ajudando os Sixers a empatarem a série em 2 a 2. O problema é que o ala anotou apenas 23 pontos na partida, muito pouco para que se tenha um desafio à altura dos outros no jogo.

Por esse motivo, gostaria que a sessão de Julius Erving fosse simplesmente um super concurso de enterradas, com os melhores dunkers da história competindo. Teríamos Jordan, Wilkins, Vince Carter, Shawn Kemp, David Thompson, Spud Webb, Clyde Drexler, entre outros, em uma super competição. Aí sim teríamos um desafio de verdade para o Doutor. E nossos amigos programadores têm que dar um jeito de fazer o craque pular da linha do lance-livre, óbvio.



 


Kareem Abdul-Jabbar: No Milwaukee Bucks.

Explico: Já temos Kareem nos Lakers no jogo do Larry Bird em 1984. Além disso, boa parte do auge da carreira de Kareem foi nos Bucks, onde conquistou 3 de seus 6 MVPs, teve as melhores médias de sua carreira e faturou um título em 1971. Portanto, sugiro um jogo do ano do título, pois teríamos, ainda por cima, Oscar Robertson na equipe. Porém, vi no trailer que o pivô está com o uniforme dos Lakers, fazendo com que meu desejo seja impossível de se realizar.




Wilt Chamberlain: Jogo dos 100 pontos.

Ficaria muito surpreso se Wilt não fosse um dos 10 jogadores restantes. E imaginem jogar na clássica partida dos 100 pontos? Sensacional. 






Bill Russell: Boston Celtics X Los Angeles Lakers – Jogo 7, Finais de 1962

Se temos Chamberlain, temos Russell. Além de jogar com o atleta mais vitorioso da história, será muito legal controlar aquele grande Boston Celtics que dominou a NBA como time jamais fará novamente. Em 1962 tínhamos Bob Cousy, Tom Heinsohn, Sam Jones, Frank Ramsey, entre outros.

Quanto à partida em questão, é sem dúvida a grande partida da carreira de Russell. Foram 30 pontos e 40 rebotes em pleno jogo 7 da final contra seu grande rival. Porém, acho praticamente nula a chance que seja essa a partida escolhida para representá-lo pelo simples fato de ser impossível pegar 40 rebotes com um jogador no 2K. Para mim, ao menos, é.





Oscar Robertson: Triple-double.

Tenho minhas dúvidas se “Big O” estará no jogo, mas eu gostaria que estivesse. O desafio seria, obviamente, alcançar um triplo-duplo com o maior recordista do quesito na história. Faria mais sentido retratá-lo no Cincinatti Royals, equipe que passou maior parte e o auge da carreira, no entanto sem ter conseguido um título. Já em declínio, foi para o Milwaukee Bucks conseguir seu único trófeu com Lew Alcindor (futuro Kareem), mas já como coadjuvante do pivô. 




Jerry West: Los Angeles Lakers X Boston Celtics – Jogo 7, Finais de 1969

Outro que também acredito que fará parte do 2K12. Escolhi essa partida por ter sido provavelmente o grande jogo da carreira do Mr. Clucher, apesar da derrota de seu time. West anotou 42 pontos, 13 rebotes e 12 assistências e foi o primeiro e único jogador até hoje a ser nomeado MVP das Finais sem ter levado o título para casa. De quebra, ainda temos a presença de Elgin Baylor no time e de Havlicek na equipe adversária. 





Hakeem Olajuwon: Houston Rockets X San Antonio Spurs - Finais do Oeste de 1995

 O famoso confronto entre Olajuwon e David Robinson. Robinson havia acabado de ser eleito o MVP da temporada regular quando foi destruído pelo pivô dos Rockets. Hakeem deu aula no garrafão e foi o grande responsável pelo bicampeonato de sua equipe. Ótima chance de controlar o pivô mais técnico da história.





Isiah Thomas: Detroit Pistons X Los Angeles Lakers – Jogo 6, Finais de 1988

Partida lendária de Thomas, mas, a exemplo de Jerry West, não coroada com vitória. Isiah anotou 41 pontos, 8 assistências e 6 roubos de bola. Não para por aí. Depois de marcar 14 pontos seguidos no terceiro quarto, torceu o tornozelo ao cair com o pé em cima do pé de Michael Cooper. Voltou para o jogo e terminou o período com 25. Mancando, ainda anotou cestas espetaculares no último quarto com direito a uma jogada de 4 pontos, mas não evitou a derrota de sua equipe para os Lakers. Derrota que custaria o primeiro título de sua carreira, mas que ficou com o Los Angeles após outra vitória no jogo 7. 






Shaquille O´Neal: No Orlando Magic

Agora que Shaq está aposentado, acredito que será um dos escolhidos para o game. Tomara mesmo que seja. E gostaria de vê-lo em seu primeiro time, o Orlando Magic. O Magic chegou à final da NBA em 1995 e tinha uma equipe muito legal com Shaq, Penny Hardaway, Nick Anderson, Horace Grant, entre outros. Os Lakers do começo da década multicampeões seriam legais de jogar também, especialmente contra o Sacramento Kings de Webber, Bibby, Stojakovic, Christie e Divac, mas deixa eles para o futuro, quando Kobe também for aposentado.






Charles Barkley: Phoenix Suns X Golden State Warriors – Jogo 3, 1° Rodada de 1994

Seria duca jogar com Barkley no NBA 2K12. Espero que o gorducho esteja no jogo. Foi nessa partida que Sir Charles cravou a melhor marca de sua carreira com 56 pontos, sendo 27 no primeiro quarto. Belo desafio seria esse heim. Além do mais, o time dos Warriors era legal e tinha o craque Chris Mullin, o novato Chris Webber, o sophomore Latrell Sprewell, Avery Johnson, entre outros.





Walt Frazier: New York Knicks X Los Angeles Lakers – Jogo 7, Finais de 1970

Essa é uma escolha pessoal, mas acho bastante improvável que entre no game. Uma das partidas mais famosas da história devido a superação de Willis Reed, que, mesmo machucado e com condições parcas de jogo, entrou para aquecer inesperadamente antes da bola quicar e anotou seus dois primeiros arremessos incendiando a torcida e o time. Mas quem roubou o show foi mesmo Frazier. Com 36 pontos, 19 assistências e 7 rebotes, liderou a equipe à vitória contra um forte Lakers, garantindo o primeiro título da história dos Knicks. Ainda teríamos para controlar um timaço com o próprio Reed (machucado no jogo, claro), Dave Debusschere e Bill Bradley.






George Gervin: San Antonio Spurs X New Orleans Jazz – Temporada Regular de 1978

Era o ultimo jogo da temporada regular. Anteriormente, no mesmo dia, David Thompson, dos Nuggets, havia marcado 73 pontos ultrapassando Gervin na briga da artilharia da competição por 58 pontos. Disposto a ser o cestinha da liga, o Iceman entrou com tudo e marcou 20 pontos no primeiro quarto da partida. No segundo, impressionantes 33 (recorde até hoje), terminando o primeiro tempo com espantosos 53. Faltavam apenas 6 pontos para a artilharia, mas Gervin fez mais 10 finalizando a peleja com 63 e depois sentou o último quarto inteiro. Foram 63 pontos em 33 minutos!!! Me fala agora se não seria um belo desafio.

De bandeja, ainda temos o Jazz com o fantástico Pete Maravich, um dos jogadores mais extraordinários de todos os tempos. A adição de Pistol Pete faz esse ser um dos jogos que mais anseio, apesar de saber que as chances mais uma vez são praticamente nulas. Mas quem sabe né?




Enfim, esses seriam os meus 15 escolhidos. Teríamos então os seguintes esquadrões no jogo:

Chicago Bulls 93
Phoenix Suns  93, 94
Boston Celtics 84, 62, 69,
Los Angeles Lakers 84, 80, 69, 88, 70
Philadelphia Sixers 80
Milwaukee Bucks 71
Philadelphia Warriors 62
New York Knicks 62, 70
Cincinnatti Royals 65s
Houston Rockets 95
San Antonio Spurs 95, 78
Detroit Pistons 88
Orlando Magic 95
Golden State Warriors 94
New Orleans Jazz 78


Para finalizar, palpite dos que eu acho que a 2K Sports vai escolher para os 10 restantes:

- Chamberlain
- Russell
- Olajuwon
- Thomas
- West
- Robertson
- K. Malone
- Drexler
- O´Neal
- Wilkins

E vocês, gostariam de ver quem no game?

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ABA - American Basketball Association





Você já deve ter visto aquela bola de basquete vermelha, azul e branca em algum momento da sua vida, seja durante as aulas de educação física, em algum parque ou clube que tenha freqüentado ou em filmes e livros sobre esporte. O que você provavelmente não sabia, ao menos em seus primeiros encontros com tal bola, é da onde que ela vinha. Eu me lembro de achar, quando novo, que essa bola era feita por alguma marca X, como uma alternativa à tradicional bola laranja da NBA. Como muita gente gostou de usar a redonda colorida, eles continuavam fabricando. Essa era a minha idéia sobre a pelota tricolor que, sem dúvida, chamava muito mais atenção do que a comum laranja, ao menos para mim, uma criança na época. Eu cresci, passei a acompanhar a NBA e, conseqüentemente, descobri a procedência da saudosa bola. Ela vinha de uma outra liga, rival da NBA, chamada ABA... “ Mas peraí, ABA? O que é isso?” Foi minha automática reação à descoberta. Fui, claro, pesquisar sobre ela, e descobri que a tal liga havia sido muito maior e mais importante do que poderia imaginar. Seguindo a cronologia do blog, a ABA surge agora, após a temporada 1966-67, e mudaria o mundo do basquete definitivamente. Contarei, portanto, o surgimento desta liga cheia de personalidades e histórias, dando uma visão geral do que ela foi. Não falarei de temporadas específicas aqui, algo que incluirei (resumidamente) dentro das análises das temporadas da NBA.







A ABA – American Basketball League – foi fundada em 1967 com o objetivo inicial de competir com a NBA, mas com o objetivo futuro de se juntar à mesma. George Mikan, ex-astro da NBA na década de 50, foi eleito o comissário da liga, dando instantânea credibilidade à competição. A grande oferta feita pela nova liga aos futuros donos de times era o valor da franquia pela metade do preço do cobrado para formar um novo time na NBA. Além disso, os representantes da ABA prometeram que após a fusão das ligas, o investimento tranquilamente dobraria. Com essa “pechincha”, onze times participariam da primeira temporada (Pittsburh Pipers, Minnesota Muskies, Indiana Pacers, Kentucky Colonels, New Jersey Americans pelo Leste; New Orleans Buccaneers, Dallas Chaparrals, Denver Rockets, Houston Mavericks, Anaheim Amigos e Oakland Oaks pelo Oeste), vencida pelos Pipers, do MVP Connie Hawkins. A história de Hawkins é curiosa. Acusado de participar de um esquema de manipulação de resultados para favorecer apostas em seu primeiro ano na Universidade de Iowa, a jovem promessa foi proibida de jogar na NBA, passando, inclusive, 3 anos no Harlem Globetrotters. Com o anúncio de uma nova liga para rivalizar com a NBA, o agente de Hawkins o aconselhou a entrar na competição e mostrar que merecia um lugar no campeonato que o havia rejeitado. Dito e feito. Connie ficou apenas 2 anos na ABA e foi chamado para atuar na liga em que sonhava jogar desde moleque. Já aos 27 anos quando aterrizou por lá, o ala ainda foi eleito 4 vezes para o All-Star Game e uma vez para a Equipe Ideal da Liga.

A ABA se caracterizaria pelo seu estilo de jogo mais aberto e ofensivo. A linha de 3, por exemplo, foi uma dos mais importantes legados da competição. Com sua implementação, grandes arremessadores surgiram, forçando as defesas a adiantarem a marcação e abrindo espaço no garrafão. Na NBA, com apenas jogadas de 2 pontos permitidas, os jogadores buscavam o arremesso próximo da cesta, teoricamente de maior aproveitamento, causando grande concentração de atletas dentro da área pintada e dificultando as infiltrações e enterradas. Com a ABA tudo isso mudou. Buscando um estilo próprio, mais perto do basquete de rua, e incentivando um basquete mais arte, mais bonito, dezenas de showmen apareceram, enterrando na cabeça de todo mundo e propiciando aos (poucos) torcedores momentos de puro êxtase. Essa acabaria sendo a marca da ABA, tendo a figura de Julius Erving como a sua mais perfeita manifestação.




A bola colorida também fez parte da intenção da liga de ter sua própria personalidade. Apesar do estranhamento no começo e da não-aceitação dos mais tradicionais, a verdade é que a bola foi um sucesso comercial, sendo vendida até hoje ao redor do mundo, se tornando a mais famosa representação que a ABA teve. Outra característica que não tem como passar despercebida são os cabelos afros e roupas estilosas. A liga foi inundada por afros de várias espécies e tamanhos (Dr.J, Darnell Hilmman e Artis Gilmore estão entre os mais famosos) e a ausência de regras, normas de vestimenta ou algo que o valha transformou a ABA num desfile de roupas coloridas e exóticas, moda na época. Essa era a ABA. Uma liga livre, sem regrinhas chatas e que queria exatamente isso, a manifestação sincera de seus jogadores, dando a eles total liberdade para fazer o que bem entendessem (incluindo o uso de drogas).


Larry Brown e seu modelito arco-irís

Os primeiros anos não foram dos melhores, com times fracos e pouquíssimo público. Apesar de levar basquete para cidades que não contavam com equipes na NBA, a audiência não respondeu imediatamente, causando situações bizarras, incluindo partidas que não chegavam a uma centena de espectadores. O fato de não jogar em grandes centros se provou fundamental, causando grandes buracos financeiros e fazendo várias franquias desistirem da liga, ano após ano. Outro fator importante foi a incapacidade dos representantes da ABA de conseguirem um contrato televisivo, que, além de possibilitar um auxílio financeiro, fatalmente aumentaria a popularidade da liga. Além do público, a NBA tinha o dinheiro, e, conseqüentemente, conseguia fazer a propaganda de seu produto na mídia, algo que sempre faltou à ABA.


Esse era um jogo da temporada regular da ABA. Sério.


As coisas começaram a melhorar quando os representantes da liga tiveram uma sacada genial. Naqueles tempos, a NBA ainda não tinha o hábito de recrutar jogadores diretamente da high school ou de primeiro e segundo-anistas das Universidades. Foi aí que a ABA tomou a iniciativa e passou a contratar atletas bem novos que não teriam a chance ainda de jogar pela NBA, causando um substancial acréscimo de qualidade em seu campeonato. O primeiro alvo da liga foi Spencer Haywood, que chegou ao Denver Rockets com apenas 20 anos, sagrando-se MVP da competição. Essa medida não só melhorou o nível dos times como também tirou da NBA a oportunidade de contar com alguns grandes jogadores num futuro próximo. A NBA ficou enfurecida com a situação, que acabaria sendo futuramente um dos motivos da união entre as ligas.

O auge da ABA começaria com a chegada de Julius Erving, maior jogador da história da competição. Dr. J. foi três vezes MVP da liga e revolucionou o basquete com suas enterradas sensacionais, popularizando o estilo atlético que explodiria na liga na década de 80 e que domina a NBA até hoje. Com a chegada de Erving e outros grandes jogadores como George Gervin, Dan Issel, Artis Gilmore, George McGinnis, Moses Malone, Bobby Jones, David Thompson, Rick Barry, Billy Cunningham, entre outros, a ABA se mostrou eletrizante e passou a chamar cada vez mais atenção do público. A liga esbarrou, contudo, na incapacidade de ser um negócio viável e esse seria realmente o calcanhar de Aquiles da ABA e principal motivo de seu fracasso. Oferecendo salários altíssimos a suas estrelas, as franquias da liga viam-se cada vez mais em sinucas de bico e sem condições de manter os elencos estrelados. Competir com a NBA era demais para a liga caçula.

A situação financeira continuou pesando até 1976, quando ABA e NBA chegaram a um acordo de fusão (fusão naquelas, foi na verdade uma incorporação da ABA em sua prima rica) com apenas 4 (Indiana Pacers, Denver Nuggets, San Antonio Spurs e New York Nets) dos 9 times que começaram a temporada migrando para a NBA. A ABA estava oficialmente extinta e uma nova era surgiria na NBA, que passava por uma fase negra, e que, com a inclusão de vários talentos (10 dos 23 atletas escolhidos para o All-Star Game na primeira temporada após a fusão eram da ABA) e a futura implementação da linha dos 3 pontos, voltaria gradualmente a seu auge, culminando na chegada de Larry Bird e Magic Johnson.




Esse é um vídeo muito legal e explicativo sobre a história da ABA, vejam:






Abaixo algumas histórias e curiosidades dessa saudosa liga, fatos que marcaram e personalizaram a ABA e que jamais poderíamos ver na NBA.

- Houve algumas partidas amistosas entre os times das ligas rivais. Se no começo a NBA ganhava com facilidade, já no fim da ABA as partidas eram bem equilibradas, contabilizando várias vitórias da caçula.

- O Slam Dunk Contest surgiu na ABA no All-Star de 1976, último ano da liga. Foi nessa competição que a histórica enterrada de Julius Erving saltando da linha do lance-livre aconteceu. A NBA adicionaria seu concurso de enterradas em 1984. Outra grande inovação da ABA.




* A enterrada do Dr.J aparece aos 5:25.

- Alguns nomes de times da ABA não podem passar batidos. Clubes como Anaheim Amigos, The Floridians (assim mesmo), a trinca Memphis Pros (o dono comprou o New Orleans Buccaneers, cuja camisa tinha a palavra Bucs e a mudança para Pros seria mais barata!!!!), Memphis Tams (time mudou de dono e Tam é o acrônimo para Tenessee – Arkansas – Mississippi e o logo era uma boina escocesa, também chamada de tam) e Memphis Sounds (nova mudança de comando e como alguns de seus fundadores eram músicos, como Isaac Hayes, famoso pelo filme Shaft e por ser a voz do Chef em South Park, esse foi o nome eleito). Oakland Oaks, Pittsburgh Pioneers, San Diego Conquistadors (um dos piores) e Spirits of St. Louis também estão no panteão dos nomes mais bizarros de todos os tempos. Denver Rockets, Houston Mavericks e New York Nets parecem erros de digitação, mas não, eles realmente existiram.

- O Miami Floridians tinha uma arma especial contra os adversários. Uma legião de mulheres lindas e gostosas que eram uma combinação bizarra de gandula, dançarina e garçonete. Quando o time adversário iria cobrar lances-livres, as garotas ficavam ao lado da cesta para distraí-los. Mais ABA que isso, impossível.




- Os times da ABA faziam o possível e o impossível para tentar atrair público e chamar atenção. O Indiana Pacers em 1975, por exemplo, ficou famoso por contar nos intervalos de seus jogos com a presença de Victor, o urso lutador. Victor lutaria com personalidades e, se desse tempo, com algum felizardo (?) da platéia. Sensacional!



Victor is on the right


- Ok. Urso no intervalo, mulheres gostosas gandulas. Grande coisa. Se a ABA fosse tão exótica assim, eles teriam colocado alguma mulher para JOGAR, não só para ficar assistindo......Mas peraí. O que? Tá de sacanagem né? Eles fizeram isso???. A história é a seguinte: Penny Ann Early foi, em 1968, a primeira mulher jóquei americana com licença para participar de competições. Os homens não gostaram nem um pouco da situação e passaram a boicotar as provas que Early participava. Foi aí que os donos do Kentucky Colonels tiveram a brilhante idéia: iriam contra-atacar essa explícita demonstração de machismo colocando a garota para participar de um jogo de basquete. Apesar dos protestos do técnico do time, a ordem vinda de cima teve que ser acatada e Penny entrou junto com o time no dia 20 de novembro de 1968. O adversário era o Los Angeles Stars. Depois do aquecimento, Early foi para o banco. Minutos depois, com a bola fora do jogo, o treinador dos Colonels pediu tempo e, quando a equipe voltou à quadra, lá estava Penny batendo o lateral. A garota passou a bola para um companheiro de time livre e, na seqüência, o técnico novamente pediu tempo, tirando Early da partida. Foi a primeira e última vez que uma mulher jogou uma partida profissional de basquete em uma liga masculina. 


Reparem no olhar do cidadão atrás de Early


- Procurando atrair público, o Pittsburgh Pipers contratou o boxeador Muhammed Ali para uma luta de exibição antes do jogo do time da casa. A medida pareceu um sucesso quando mais de 9000 pessoas compareceram no estádio. Ali fez sua aparição, foi embora e, ao começar o jogo de basquete, havia sobrado pouco mais de 500 pessoas na arena.

- Para quem se interessar há um filme chamado Semi-Pro (Os Aloprados; malditas traduções) sobre um time da ABA que sonha em jogar um dia na NBA. Eu nunca vi, se alguém já assistiu, por favor dê uma opinião.

- Para mais histórias curiosas visitem esse site: Link




Fontes:

sábado, 25 de junho de 2011

1966-67: Mudança de postura traz primeiro anel para Chamberlain




DRAFT
Não foi uma loteria tão recheada como as anteriores, mas adicionou alguns atletas interessantes para a liga. Mais especificamente três:

Dave Bing: Ótimo armador, viveu seu auge de 1966 a 1973. 2X Equipe Ideal da Liga e 7X All-Star, foi eleito um dos 50 maiores jogadores da história da NBA. Pontuava com naturalidade (20.3 PPG na carreira, ápice de 27 PPG em duas temporadas) e era bom passador (6.0 APG). Contra ele, o fato de nunca ter vencido uma série de playoffs na carreira.


Lou Hudson: Hudson foi um grande pontuador, marcando 20.2 pontos por jogo na carreira e anotando mais de 20 pontos em 6 temporadas consecutivas (auge de 27.1). Participou de 6 All-Star Games e foi eleito 1 vez para a Segunda Equipe Ideal da Liga.
Bob Love: Love foi, na verdade, escolhido no draft do ano anterior pelo Cincinnati Royals, mas não conseguiu um lugar no time e passou o ano jogando em uma liga alternativa. Tentou novamente em 1966 e finalmente convenceu seu treinador que merecia fazer parte do elenco. Bob Love viveu seu auge no Chicago Bulls, de 1969 a 1976. Foi 2X All-Star, 2X Segunda Equipe da Liga e 3X Segunda Equipe Defensiva. O ala anotou 17.6 pontos por partida durante a carreira.
Alem dos três, vale a pena citar também: Archie Clark (2X All-Star, 16.3 PPG), Cazzie Russell (1 X All-Star, 15.1 PPG) e Jack Marin (2X All-Star e 14.8 PPG).

TEMPORADA REGULAR
Um dos times mais vitoriosos da história da liga estréia: o Chicago Bulls. Era o terceiro time da cidade que aparecia na NBA. Anteriormente havia existido o Chicago Stags, la no começinho e o Chicago Packers/Zephyrs, hoje Washington Wizards.
Com a inclusão dos Bulls vieram outras alterações: cada time jogaria uma partida a mais na temporada, passando de 80 para 81 jogos no ano. Com cada divisão agora equilibrada em 5 times, os 4 primeiros colocados de cada Conferência iriam aos playoffs, em vez dos 3 das temporadas anteriores. Ou seja, tinha que fazer muito esforço para nao se classificar.

Leste
“Extra! Extra! Wilt Chamberlain percebe que o jogo de basquete é coletivo e começa a jogar em equipe!”
Essa poderia muito bem ser uma manchete de um jornal em Filadélfia nesta temporada. Chamberlain, como todos sabemos, foi um gênio, um dos maiores jogadores de todos os tempos e, provavelmente, o mais dominante. Em contrapartida, era egoísta, não tinha a menor noção de jogo em equipe, se importava muito mais com estatísticas e recordes do que em vitórias, e, no fim das contas, acaba sempre sendo derrotado por equipes mais unidas, especialmente o Boston Celtics. Mas Wilt percebeu, finalmente, que essa fórmula não o traria títulos. Aqui vai um trecho de sua autobiografia Wilt: Just Like Any Other 7- Foot Black Millionaire Who Lives Next Door.

“Eu estava com 30 anos quando a temporada 1966-67 começou e, me tornando mais maduro como pessoa, aprendi que era essencial manter meus companheiros de time felizes se eu quisesse vencer os jogos.
Eu nao só começei a passar mais e arremessar menos, mas também começei a elogiar meus companheiros – publicamente e privadamente.
Agora eu percebo que esse é o tipo de coisa que ajudou a tornar os times de O.J.Simpson na USC e de Bill Walton na UCLA tão vitoriosos. O mesmo acontece com Joe Namath e os Jets.
O.J, Bill e Joe sempre elogiam seus companheiros. Eles se lembram o nome de cada cara que dá um bloqueio importante, uma boa assistência ou que faz uma boa jogada defensiva, e deixam isso claro para esses jogadores – e para a imprensa. Isto pode não ajudar, mas faz o jogador tentar ainda mais duro da próxima vez, ao invés de se desaminar, subconscientemente, porque está cansado de ser ignorado e ouvir a todo momento quão foda você é.
Eu estava aprendendo essa lição em 1966 e isso refletiu nas minhas estatísticas.
Em vez de eu marcar 40 pontos por jogo, nós tivemos um grande balanço ofensivo. Hal Greer anotou 22.1, Chet (Walker) fez 19.3 e Billy (Cunningham) 18.5. Luke Jackson e Wali Jones também passaram dos dois dígitos. Esse é o tipo de equilíbrio que o Boston sempre teve.”

Resultado dessa mudança de mentalidade? 68 vitórias na temporada (récorde da época) e o primeiro título da carreira de Chamberlain.
Infelizmente essa postura não duraria muito e Chamberlain voltou a se preocupar com recordes, agora com os de assistências, história que contarei mais detalhadamente no próximo capítulo.
Wilt teve uma temporada sensacional: 24.1 pontos (nunca havia feito menos do que 33), com absurdos 68.3% de aproveitamento (OMG), 24.2 rebotes e incríveis 7.8 assistências por partida, faturando seu terceiro MVP.
Além de Chamberlain, o Philadelphia 76ers contava com os já citados Chet Walker, Billy Cunningham e Hal Greer, formando um time extremamente poderoso, considerado até hoje um dos mais fortes de todos os tempos.
O Boston Celtics, agora com 8 títulos em sequência, continuava favorito ao título. Com Bill Russell assumindo a função de jogador-técnico, ele se tornou o primeiro técnico negro contando todas as principais ligas esportivas americanas (NBA, MLB, NFL).
O esquadrão celta contava com a base de sempre: Russell (13.3 PPG/21.0 RPG/5.8 APG), Sam Jones (22.1 PPG), John Havlicek (21.4 PPG), K.C.Jones em seu último ano (5.0 APG), Tom Sanders (10.2 PPG) e Larry Siegfried (14.1 PPG), com a inclusão do ótimo ala Bailey Howell (20 PPG). O timaço verde venceu 60 jogos.
Bem atrás dos líderes surge o Cincinnati Royals, com 39 vitórias e 42 derrotas. A dupla formada por Oscar Robertson (30.5 PPG/10.7 APG/6.2 RPG) e Jerry Lucas (17.8 PPG/19.1 RPG) continuava o ponto forte da equipe. Hapy Hairston (15 PPG/8 RPG) e Adrian Smith (16.6 PPG) também se destacavam no elenco.
Fechando os playoffs pelo Leste, um time que não os freqüentava a um bom tempo: o New York Knicks. Após várias temporadas fraquíssimas em sequência, sempre segurando a lanterna da Conferência, os Knicks foram beneficiados com a presença do Baltimore Bullets, antes parte do Oeste e que, com a entrada do Chicago Bulls, fora remanejado para o Leste. Os Knicks contavam com um forte garrafão composto por Willis Reed (21 PPG/14.6 RPG) e Walt Bellamy (19 PPG/13.5 RPG) e outras boas peças em Howard Komives (15.7 PPG), Dick Barnett (17 PPG) e Dick van Arsdale (15.1 PPG) para fechar a temporada com 36 vitórias.
Na rabeira do Oeste, como já dito, aparece o Baltimore Bullets. A pior campanha da liga – 20 vitórias – tinha como destaques o ótimo Gus Johnson (20.7 PPG/11.7 RPG), Don Ohl (20.3 PPG) e Ray Scott (19 PPG/13.2 RPG).

Oeste
Voltando a liderar a Conferência dois anos depois da saída de Chamberlain, o San Francisco Warriors contou com a sensacional temporada do sophomore Rick Barry, cestinha da liga com 35.6 pontos por partida. Tirando as marcas absurdas de Wilt no começo dos anos 60 e de Michael Jordan em 1986-87, ninguém fez mais pontos que Barry neste ano. É a sétima melhor marca da história no quesito, com Kobe Bryant fungando logo atrás com seus 35.4 em 2005-06. Além do ala, já considerado o melhor jogador de sua posição na época, o pivô Nate Thurmond era outra figura fundamental do elenco. Um dos melhores reboteiros de todos os tempos, Nate só ficou atrás de Wilt nesta temporada – 21.3 RPG – e ainda marcou 18.7 pontos por embate para ajudar os Warriors a terminarem o ano com 44 vitórias, única equipe da Conferência com recorde positivo.
Na vice-liderança do Oeste, o St. Louis Hawks teve o novato Lou Hudson como a grande atração do elenco. Cestinha da equipe com 18.4 pontos, o ala-armador ficou por pouco de levar para casa o prêmio de Novato do Ano. Além de Hudson, no equilibrado plantel dos Hawks estavam Zelmo Beaty (17.8 PPG/10.7 RPG), Lenny Wilkens (17.4 PPG/5.7 APG), Bill Bridges (17.4 PPG/15.1 RPG) e o experiente Richie Guerin (13.7 PPG), que também acumulava as funções de técnico.
O Los Angeles Lakers aparece na terceira posição com apenas 36 vitórias, mesma marca dos Knicks (!!!). Habituado a disputar finais (e perder), o time angelino fez uma campanha abaixo de seus padrões, mesmo contando com as habituais presenças de Jerry West (28.7 PPG/ 6.8 APG) e Elgin Baylor (26.6 PPG/12.8 RPG). Contudo, a forca de apoio foi fraca – Rudy LaRusso jogou apenas 45 jogos anotando 12.8 pontos e foi o principal cestinha excluindo a dupla de craques.
O Chicago Bulls cravou a melhor campanha de um time estreante na NBA até então com 33 vitórias. O ponto forte da equipe era o perímetro formado por Guy Rodgers (líder em assistências da liga com 11.2 por partida, além de 18 pontos), Jerry Sloan (17.4 PPG/9.1 RPG) e Bob Boozer (18 PPG/8.5 RPG).
Fora da pós-temporada, o Detroit Pistons contou com o Novato do Ano Dave Bing anotando 20 pontos por partida e Dave DeBusschere fazendo 18.2 pontos e 11.8 rebotes por embate.

Um resumo da temporada regular:



PLAYOFFS
Pela primeira vez com 4 times de cada lado passando para os playoffs, acabou a mamata dos líderes de Conferência de entrarem já em uma fase avançada aos demais. Todos teriam que jogar as semifinais.
Semifinais que não trouxeram surpresa alguma. Os Celtics bateram os Knicks por 3 a 1 e os Sixers  passaram pelos Royals pelo mesmo placar no Leste, ao mesmo tempo em que Hawks e Warriors despachavam, respectivamente, Bulls e Lakers (sem West) com varridas no Oeste.
A final do Leste traria o jogo mais esperado da temporada. Era uma espécie de final antecipada da NBA. Os dois melhores times da liga, indiscutivelmente, eram Boston e Philadelphia e a rivalidade entre Russell e Chamberlain era sempre um capítulo a parte. O Boston, campeão nas últimas 8 temporadas, ainda era um timaço. Os Sixers, com um Wilt de diferente mentalidade, também. Não havia favorito para o confronto, apesar dos Celtics terem demonstrado ao longo dos anos como cresciam nesses momentos. A série começou no dia 31 de marco de 1967 prometendo muita emoção e equilíbrio. Equilíbrio que acabou não vindo. O Philadelphia massacrou os Celtics como a muito não se via, vencendo jogos por margens confortáveis, incluindo uma sapecada de 140 a 116 no jogo 5, confronto que decidiu a série. O time celta estava fora da disputa pelo título justo no primeiro ano sem Red Auerbach treinando a esquadra e Chamberlain tinha o caminho aberto para conquistar seu primeiro anel.

Game 1 Fri, March 31 Boston Celtics 113@ Philadelphia 76ers 127
Game 2 Sun, April 2 Philadelphia 76ers 107@ Boston Celtics 102
Game 3 Wed, April 5 Boston Celtics 104@ Philadelphia 76ers 115
Game 4 Sun, April 9 Philadelphia 76ers 117@ Boston Celtics 121
Game 5 Tue, April 11 Boston Celtics 116@ Philadelphia 76ers 140

Jogo 4 da série, justamente a única que os Celtics venceram:



Anel que seria decidido contra seu ex-time, o San Francisco Warriors, agora comandado por Barry. Em confrontos mais apertados, o líder do Oeste confirmou o favoritismo e levou a série por 4 a 2.

Game 1 Thu, March 30 St. Louis Hawks 115@ San Francisco Warriors 117
Game 2 Sat, April 1 St. Louis Hawks 136@ San Francisco Warriors 143
Game 3 Wed, April 5 San Francisco Warriors 109@ St. Louis Hawks 115
Game 4 Sat, April 8 San Francisco Warriors 104@ St. Louis Hawks 109
Game 5 Mon, April 10 St. Louis Hawks 102@ San Francisco Warriors 123
Game 6 Wed, April 12 San Francisco Warriors 112@ St. Louis Hawks 107

A decisão trouxe frente a frente os dois times da carreira de Wilt Chamberlain. Os Warriors, que se rejuvenesceram com a saída de Wilt e os Sixers, que melhoraram muito com a chegada do pivô. Mas era muito claro qual time era mais forte na época. O Philadelphia tinha um elenco poderoso, liderados por Wilt talvez em sua melhor temporada na carreira. O San Francisco até tentou complicar, com atuações monstruosas de Barry e Thurmond, vencendo dois jogos e levando outro para prorrogação, mas não foi capaz de segurar o fortíssimo Sixers.

Game 1 Fri, April 14 San Francisco Warriors 135@ Philadelphia 76ers 141
Game 2 Sun, April 16 San Francisco Warriors 95@ Philadelphia 76ers 126
Game 3 Tue, April 18 Philadelphia 76ers 124@ San Francisco Warriors 130
Game 4 Thu, April 20 Philadelphia 76ers 122@ San Francisco Warriors 108
Game 5 Sun, April 23 San Francisco Warriors 117@ Philadelphia 76ers 109
Game 6 Mon, April 24 Philadelphia 76ers 125@ San Francisco Warriors 122

Chamberlain anotou, em 15 jogos nos playoffs, 22 pontos, 29 rebotes e 9 assistências por partida. E finalmente levantou o troféu.

- Vídeo sobre o esquadrão dos Sixers, muito legal:




Resumo dos playoffs em duas partes, aqui está a primeira:








COMENTÁRIOS:
- Foi a segunda e última vez que Guy Rodgers liderou a liga em assistências, com 11.2 por jogo. Foi também a melhor marca de sua carreira.
- O aproveitamento de Chamberlain foi tão alto (68.3%), que a diferença para o segundo colocado, Walt Bellamy (51.2%), foi de quase 20%. Considerando todas as temporadas com mais de 20 pontos na história, a de Wilt é disparada a de melhor aproveitamento. Num distante segundo lugar aparece Kevin McHale, ala-pivô do Boston Celtics, que, em 1986-87, anotou 26.1 pontos por partida, acertando 60.4 % de seus arremessos.
- Curiosamente apenas 13 jogadores de toda a NBA encerraram a carreira esse ano. A maior perda, foi, indiscutivelmente, K.C.Jones, armador 8 vezes campeão da liga pelo Boston Celtics. Jones nunca foi um grande jogador ofensivamente, mas compensava com grande inteligência e uma defesa implacável, marca registrada de seu jogo e fator que o credenciou a substituir a lenda Bob Cousy.
-O time de novatos da liga foi formado por: Jack Marin, Dave Bing, Erwin Mueller, Lou Hudson, Cazzie Russell.
- O All-Star Game foi realizado em San Francisco, California, com o Oeste demolindo o Leste por 135 a 120. Rick Barry foi o MVP da partida.
Dois vídeos do All-Star:





                   


ESTATÍSTICAS E PREMIAÇÕES:



Pontos por jogo

1.Rick Barry-SFW35.6
2.Oscar Robertson-CIN30.5
3.Jerry West-LAL28.7
4.Elgin Baylor-LAL26.6
5.Wilt Chamberlain-PHI24.1




Rebotes por jogo

1.Wilt Chamberlain-PHI24.2
2.Nate Thurmond-SFW21.3
3.Bill Russell-BOS21.0
4.Jerry Lucas-CIN19.1
5.Bill Bridges-STL15.1




Assistências por jogo:

1.Guy Rodgers-CHI11.2
2.Oscar Robertson-CIN10.7
3.Wilt Chamberlain-PHI7.8
4.Jerry West-LAL6.8
5.Howard Komives-NYK6.2




MVP: Wilt Chamberlain

Novato do Ano: Dave Bing


Equipe Ideal da Liga

  • Wilt Chamberlain, Philadelphia 76ers
  • Oscar Robertson, Cincinnati Royals
  • Jerry West, Los Angeles Lakers
  • Elgin Baylor, Los Angeles Lakers
  • Rick Barry, San Francisco Warriors



Segunda Equipe Ideal da Liga

  • Hal Greer, Philadelphia 76ers
  • Sam Jones, Boston Celtics
  • Jerry Lucas, Cincinnati Royals
  • Willis Reed, New York Knicks
  • Bill Russell, Boston Celtics



Fontes:
SIMMONS,Bill. The Book of Basketball – The NBA According to the Sports Guy